Depois das padarias, as tabernas.
Se o meu avô paterno fosse vivo, faria este mês 117 anos. O homem era lavrador, tocava saxofone na orquestra da vila e tinha uma taberna onde naturalmente vendia vinho. Nessa altura uma taberna era exactamente o que um local desses é: um sítio onde se vende e bebe vinho. Às vezes também havia uma côdea de centeio e umas lascas de queijo picante para os amigos, mas essencialmente era onde se bebia um copinho de tinto enquanto se descansavam as costas depois de uma jornada de trabalho no campo.
Com o passar dos tempos as tabernas caíram em desuso e até há relativamente pouco tempo, eram sinónimo de local de qualidade duvidosa e portanto pouco aconselháveis. Até que alguém se lembrou de adulterar mais uma tradição antiquíssima da sociedade portuguesa e fazer das tabernas, tascas mas chamar-lhes tabernas. No fundo não tenho nada contra as tabernas actuais, até tenho amigos donos de uma onde vou frequentemente com muito gosto e a quem só posso desejar o maior dos sucessos no aproveitamento desta onda. O desabafo é apenas contra esta moda de chamar taberna aqueles sítios onde servem comida pseudo-gourmet em pratos quadrados, que mais não faz do que apagar da memória uma das tradições mais castiças da boa vida portuguesa.