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quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

PACO


Morreu ontem o génio da guitarra flamenca, Paco de Lucía.
À maioria o nome nada diz e os que sabem quem é talvez não entendam a sua importância profunda para os andaluzes e para os espanhóis em geral. O flamenco é sem dúvida o maior símbolo da Andaluzia e das poucas coisas que reúne um consenso generalizado entre os espanhóis.

Esta notícia traz-me algumas lembranças nostálgicas, porque tive o prazer de o ver actuar várias vezes, mas sobretudo porque depois de ter vivido em Cádiz, a província da terra natal de Paco de Lucía, também eu me tornei um bocadinho andaluz.



domingo, 5 de janeiro de 2014

HISTÓRIAS DO MAIOR JOGADOR DE SEMPRE



Por estas horas, há dois momentos que recordo do Eusébio e me ficarão para sempre na memória.

O aperto de mão dele a um menino de 10 anos (eu) durante um estágio na escola de futebol do Humberto Coelho no final da década de oitenta, depois de nos contar a sua história de vida feita de sofrimento, magia e glória.

As recepções majestosas, onde foi mais aplaudido que a própria equipa da casa nas várias viagens com a Turma do Serra ao Reino Unido para ver o Benfica jogar em Liverpool, Manchester ou Glasgow.


Como diz um grande amigo meu, merecia ter partido com alguns títulos do ano passado para levar ao lado da sua inseparável Black Label.

sábado, 7 de dezembro de 2013

O TAMANHO DESTE MUNDO


Pessoas tuas conhecidas em três momentos diferentes: uma colega espanhola hospedada no mesmo hotel que tu vem ter contigo à mesa do pequeno almoço; o grego que só tinhas visto uma vez na vida fica boquiaberto ao encontrar-te num edifício onde trabalham milhares de pessoas; por fim o indiano, que te viu passar na rua e pediu ao empregado do restaurante para ir lá fora chamar-te.

Pormenor: tudo isto no mesmo dia e a 7.000 quilómetros de casa.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

ROTA DAS TAPAS



Está a decorrer em Lisboa a Rota das tapas, um evento para dar a conhecer as melhores tapas de Lisboa a cerveja espanhola Estrella Damm.

Isto leva-me a uma série de considerações que não posso deixar de partilhar. Acontece que nem Lisboa nem Portugal têm tapas, quando muito têm petiscos, embora não os saibamos potenciar. O facto dos portugueses serem cativados por algo que não é deles nem para o qual têm apetência, é duplamente triste. Por norma, em Madrid, uma tapa não se paga, é algo que qualquer pessoa em qualquer bar obtém gratuitamente ao pedir a sua cerveja ou o seu copo de vinho. E quando há eventos destes, numa cidade onde os salários são em média 30% mais altos que em Lisboa, não se paga 3,00€ por uma tapa e uma cerveja, 2,40€ é quanto baste.



Ontem à noite em Lisboa vi gente muito animada, quiçá embalados por uma experiência que tem tanto de empreendedora como de pouco dignificante da cultura gastronómica portuguesa. Não podíamos ter sido nós a tirar as pessoas de casa organizando uma coisa destas com os nossos petiscos e a nossa Sagres ou Super Bock?

segunda-feira, 20 de maio de 2013

BRINCANDO AOS PASTELEIROS


A crise tem servido para fomentar novas oportunidades de sobrevivência mas ao mesmo tempo para agudizar o chico espertismo tão típico da sociedade portuguesa. Vem isto a propósito dos valores que paguei por um bolo e um copo de leite numa conhecida pastelaria lisboeta: 1,20€ pelo copo de leite, 1,00€ pelo bolo.

Ora, um litro de leite dá para quatro a cinco doses e custa 0,60€ a 0,80€ num supermercado. Não ponho em causa a margem de lucro, o problema é outro. Que me perdoem as vacas mas como é possível um copo de leite ser mais caro que um bolo, cujo processo de fabrico é complexo e apenas ao alcance de quem domina a arte pasteleira?! Os ingredientes, o árduo trabalho nocturno e as técnicas apuradas para ter diferentes variedades de bolos fresquinhos pela manhã, afinal isto vale menos que um simples copo de leite??

quinta-feira, 9 de maio de 2013

PUBLICIDADE PARA ANÕES


E esta publicidade de rua dirigida às crianças que sofrem maus tratos? Vejam o vídeo explicativo, vale a pena.
Não se queixem do título nem me culpem, esta era a única forma de vos convencer a virem cá ver isto.



segunda-feira, 18 de março de 2013

OS FANFARRÕES


Há ex-colegas de faculdade, supostos amigalhaços, que já naquela altura eram uns chatos do caraças e potenciavam a sua fanfarronice intrínseca. Há tempos encontrei um deles num contexto profissional e dei por mim, estava a tratar-me como um potencial cliente, não poupando sequer nos pormenores da vida pessoal que adornam sempre as negociatas fantásticas dos fanfarrões. O meu pensamento naquele momento foi automático e único:

Como é que vocês, mulheres, conseguem aguentar estes gajos?

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

AS ÁRVORES DO PRECONCEITO


Um colega indiano do departamento de informática que está de visita ao escritório para resolver uns problemas, perguntou-me hoje, em pleno inverno, por que motivo as árvores não têm folhas. Primeiro fiquei a pensar se era por ser indiano, informático ou viver noutro mundo, mas depois de lhe explicar o processo natural das coisas, percebi.
Realmente temos tanta facilidade em catalogar os outros sem ter sequer metade da informação...

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

LÁ FORA TOCA MAIS FUNDO


Este post inicia-se com bola mas é sobre a malta que está fora do meu país. A vitória do Benfica hoje é mais que um simples adiantar na eliminatória. Ganhar em Leverkusen orgulha quem faz a sua vida na Alemanha, no Luxemburgo, na Bélgica, na Suíça, em França ou em qualquer outro país, mesmo não sendo benfiquista ou não ligando sequer a futebol. A vida faz-se de pequenos nadas e uma pequena alegria quando se está lá fora, toca mais fundo. Viver fora de Portugal torna-nos capazes de perceber o sentimento que não conseguiremos nunca explicar a quem não é nem foi emigrante.

Um grande abraço para todos esses corajosos!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

A VIDA A ACONTECER


Este Natal serviu para perceber que as duas semanas de férias do antigamente se transformaram em dois dias. Com o passar dos anos, os mais velhos vão sendo substituídos por outros mais novos na mesa da consoada e também há gente de fora que passa a ser da casa. Alguns amigos foram adoptados por outras famílias, cuja localização é longe da terra dos doudos e é mais complicado revê-los na altura do ano que se esperaria ser a mais fácil. Moças com quem já trocamos fluidos corporais há muito tempo, são hoje respeitáveis mães de família em conjunto com elementos que desconhecemos e que a terra dos doudos também adoptou. Nestas noites frias de inverno nem sempre se completa uma mesa de jogo e o mesmo termina mais cedo do que há uns anos.

Mas, o vinho novo continua a ficar pronto para ser bebido por estes dias e a visita às adegas dos vizinhos-família para a primeira prova, ainda é uma realidade na tarde de 24.

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

AUTISMO SOCIAL


Tenho acompanhado à distância os protestos de hoje em Portugal. Tenho visto as notícias na internet e lido os comentários dos do costume. Independentemente do que cada um de nós pensa e da situação em que se encontra, não julguemos as acções dos outros como se tudo isto estivesse na maior das normalidades. Não está.
Neste momento há razões que até a própria razão desconhece. Daqui a três meses voltamos a falar, se não antes.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

CORRIDA SEM DESTINO


Esta manhã cruzei-me com vários jovens alunos de mochila às costas, animados pelo reencontro com os colegas.
Imbuído do espírito crítico que tem caracterizado a sociedade nos últimos tempos, pensei por momentos:

"Para onde correm estas crianças?"

segunda-feira, 4 de junho de 2012

RELAÇÃO DE GRANDEZA


Hoje estive numa suite de hotel de tamanho seis vezes maior que o meu apartamento e cuja diária é mais do triplo da renda que pago todos os meses. Isto à partida deu-me a sensação que vivo numa toca mas rapidamente concluí que afinal há é gente com mesmo muito dinheiro.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

POVO DO CATANO


Hoje tive que fazer de manhã mas não precisei de ir ao escritório, as novas tecnologias pouparam-me a deslocação. Antes do almoço passei por um dos locais que mais gosto de frequentar em Madrid, a taberna da porta ao lado de casa onde de manhã está a Carmen e à tarde o Pepe. O pai dele, de manhã e à tarde. Depois de pedir o habitual botellín - a mini madrileña, que veio acompanhado de uma almondega caseira e um trocito de pão, entra uma senhora rubia carregada de sacos com compras. Antes mesmo de os pousar pede também uma cerveja mas maior que a minha, um tercio. Está à espera que o filho chegue do colégio para ir fazer o almoço. Um cliente, agora mais assíduo desde que lhe tocou em sorte o desemprego, segue um programa de mexericos na televisão. Comenta que gosta muito da Romy “Esnaider” apesar de nunca ter visto o Sissi e pede mais um aperitivo. Dou os parabéns à Carmen pela almondega que está francamente saborosa e peço outra mini. O chaval chega entretanto e diz à mãe que lhe sobe as compras se ela lhe der cinco euros. Acertam o negócio por um kas laranja e ficam a conversar sobre a manhã de cada um. Alguém pergunta pelo Pepe relembrando que mais logo ao fim tarde, depois da apresentação do livro, virão todos beber uma copa. Entretanto começa o telediário das três e o cavalheiro cinéfilo solta um sonoro joder! quando vê as noticias sobre o descalabro do Bankia. Peço à Carmen que me cobre e vou almoçar.

Numa altura em que Espanha vai aprofundando uma crise parente da nossa, os espanhóis teimam em continuar a tratar a vida por tu, povo do catano!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

AQUI HÁ GATO


Em Junho de 2008 o preço da gasolina rondava 1.30€. Houve bloqueios, faltou combustível, mantimentos e perdeu-se uma vida. Passados praticamente quatro anos, paga-se 1.80€ por litro e a letargia não podia ser mais evidente. Aqui há gato.

terça-feira, 10 de abril de 2012

A NECESSIDADE AGUÇA O ENGENHO


Depois de várias entrevistas de trabalho como entrevistado ao longo da vida, outro dia passei para o lado do entrevistador pela primeira vez. Mesmo que a minha entrada em cena tenha sido apenas parte do processo, um chumbo da minha parte era factor eliminatório para os candidatos.

Percebi então que, ou me tornava bem rijo, ou técnico de recursos humanos não seria profissão para mim.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

SUBSÍDIO DE (DES)EMPREGO


Ainda a propósito das cargas excessivas de trabalho, devido à actual tendência de reduzir pessoal nas empresas, os poucos que ficam por vezes têm que aguentar barcos tão grandes que mais dia menos dia começam a meter água. E numa altura em que o Estado não sabe o que fazer com a taxa de desemprego, pagando a muita gente para de quinze em quinze dias ir à junta de freguesia carimbar um papel, se calhar podia pensar no seguinte:

Os desempregados que por qualquer razão não tivessem oportunidade de beneficiar de um emprego conseguido pelo centro de emprego, teriam a possibilidade de serem colocados numa empresa da sua área de formação para fazerem um part-time com o qual poderiam majorar o subsídio de desemprego e manterem-se efectivamente em contacto com o mercado de trabalho. Depois era só pedir aos colunistas do Diário da República para sacarem uns Decretos que castigassem os malandros não cumpridores.

Não sou um génio que se lembrou de revelar a receita da pólvora, apenas exponho o caso próprio de quem não pôde trabalhar GRÁTIS e de livre vontade durante 3 horas por dia numa empresa da sua área equanto esteve desempregado, porque isso ia contra os regulamentos de atribuição do subsídio de desemprego. Perdi a oportunidade de efectivamente continuar a formar-me activamente durante aquele período, de manter o contacto com o mercado de trabalho e não menos importante, a auto-estima profissional.

terça-feira, 27 de março de 2012

LIMITES INDEFINIDOS


A capacidade humana de suportar a dor é como a de suportar cargas de trabalho: aguentamos sempre mais do que alguma vez acreditamos conseguir. Felizmente nunca testei a primeira, mas estava longe de imaginar a segunda.

terça-feira, 13 de março de 2012

VAMOS BEBER UM VINHO?


Já disse aqui há uns tempos que as coisas sabem melhor se forem autênticas na forma, no espaço e no tempo. Contudo, há excepções que deviam antes ser a regra.

Um exemplo que rapidamente me vem à memória é o vinho. É sobejamente conhecido o arrojo com que os espanhóis defendem o que é deles, chegando por vezes a cair no exagero. Opiniões à parte, mais do que ter a própria indústria de produção e distribuição a cuidar dele, têm uma população que gosta e bebe bom vinho em qualquer tasco, fazendo disso um ritual. Quem visita Madrid rapidamente se apaixona por este culto diário perfeitamente enraizado e ao alcance da maioria aqui no burgo. Aprecio o facto de entrar num bar e verificar o quão banal é pedir um Ribera, um Rioja, um Rueda, um Somontano, sempre acompanhados pela devida tapa.

Já em Portugal, apesar dos excelentes vinhos que temos, parece-me que podíamos fazer mais por eles. É verdade que pouco a pouco começam a aparecer sítios onde é possível beber vinho a copo mas ainda são escassos e pouco democráticos. A maioria é vista como um local para ir de vez em quando ou apenas numa ocasião especial. Além disso, a cultura do vinho fora de casa (restaurantes à parte) é fraca e os preços não ajudam. Mas há um potencial tremendo por explorar. Talvez um dia as nossas regiões vinícolas andem na boca do povo que hoje mais facilmente pede uma imperial e tremoços: "queria um Douro, um Alentejo, um Dão, um verde..."

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

SEGURO DE CASAMENTO


Quantas pessoas conhecem que se casam com separação total de bens? A minha experiência de assistente a casamentos diz-me que a maioria opta pela comunhão de adquiridos, seguindo-se a comunhão total de bens. Será esta opção da separação total conciliável com as juras de amor eterno? Eu diria que sim. Vou até mais longe, digo que é saudavelmente aconselhável. Olho para a separação total de bens como um seguro do próprio casamento mas sobretudo da integridade moral dos seus intervenientes. É como quem tem carro, ninguém quer ter um acidente mas se ele acontecer os danos materiais são minimizados.

Para quem não concorda fica a pergunta:

O que achariam de ter que dividir com alguém de quem se estão a divorciar por via contenciosa, algo com bastante valor material ou sentimental e na posse da vossa família há várias gerações?